Projeto Artisans Brasil – Seda Justa

Nova Esperança está situada no coração do Vale da Seda e é a cidade que mais produz casulos de bicho da seda em todo o Brasil e por conseqüência, no Ocidente, e é nacionalmente conhecida como a capital da Seda. Segundo censo do IBGE de 2009, o município de Nova Esperança possui 26.591 habitantes distribuídos em uma área de 402 km2. O PIB total em 2007, a preços correntes, foi de R$ 235.670 milhões, dos quais R$ 31.994 milhões é valor adicionado bruto da agropecuária, onde 2.948 pessoas estão empregadas. Já o PIB per capita em 2007 foi de R$ 9.163,00/ano e a renda per capita foi de R$ 3.044,28 ao ano, o que faz de Nova Esperança uma cidade ainda bastante agrícola e com uma renda per capita muito baixa.

No ano 2000 foi constituída a Vila Rural de Nova Esperança a partir de um esforço conjunto de lideranças locais entre os produtores de bicho da seda, Prefeitura Municipal de Nova Esperança, técnicos EMATER-PR e de uma empresa brasileira produtora de fio de seda, para oferecer aos “porcenteiros” [1], a possibilidade de ter a sua própria terra.

Com o intuito de auxiliar esses produtores de casulo de seda, surge em 2006 o Projeto Seda Justa que vem sendo desenvolvido pela Incubadora Tecnológica de Maringá, junto à Associação dos Produtores da Vila Rural Esperança, com o objetivo de orientar os produtores rurais a aproveitarem melhor sua produção e aumentarem suas possibilidades de mercado, além de conhecerem o funcionamento e a metodologia do Comércio Justo.

O Projeto Seda Justa elaborou uma forma de obter um incremento na renda dos produtores da vila rural que se mantinham apenas com a venda dos casulos dos bichos-da-seda. O projeto propôs a confecção de cachecóis produzidos com fio 100% seda, a partir de fios tintos com corantes naturais e confeccionados pelas produtoras de casulo do bicho da seda. Para isso conta com as empresas de fiação da região que compram os casulos de segunda dos produtores, fiam, depois fornecem os fios para tingimento a outra empresa. A matéria-prima volta para as famílias, que podem confeccionar os cachecóis e venderem, assim eles tem um acréscimo na renda. Antes do projeto não existia nenhum produto relacionado à seda na cidade de Nova Esperança, que é o maior produtor do ocidente de casulos.

Baseada no Projeto Seda Justa veio à idéia da criação de uma cooperativa formada por agricultores residentes na Vila Rural Esperança, a Artisans Brasil – Seda Justa, Cooperativa dos Produtores de Artesanato de Seda Ltda, que orienta seus associados na produção e exportação de cachecóis, feitos com fios artesanais de seda, para algumas das lojas da Rede Artisans du Monde, na França. A Rede Artisans du Monde, com mais de 150 lojas na França, se dedica ao comércio de artigos produzidos dentro do sistema de comércio justo, e garante remuneração digna aos produtores e artesãos.

Criada com o apoio do Programa Universidade Sem Fronteira, da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Governo do Paraná, a Artisans Brasil trabalha em parceria com a Incubadora Tecnológica de Maringá e conta com a assessoria técnica de docentes e discentes da Universidade Estadual de Maringá – UEM.

O projeto Artisans Brasil – Seda Justa é apoiado diretamente por quatro bases que inclui empresas, programas e centro de pesquisa. Entre os elementos que o compõem, estão as Empresas Privadas que fazem a fiação dos fios de seda e os entregam em novelos prontos para serem transformados em lenços, cachecóis, bolsas, entre outros. Tudo isso a um preço justo que beneficia a Cooperativa dos Produtores Rurais da Vila Nova Esperança.

Outra base do projeto é uma empresa de base tecnológica que faz parte do programa de incubação da Incubadora Tecnológica de Maringá, e que apóia o projeto contribuindo com pesquisas de inovação tecnológica a fim de inovar e/ou agilizar processos.

Além destas duas bases, um elemento fundamental para o desenvolvimento e realização do projeto, é o apoio gerencial e financeiro, fornecidos através de programas de extensão tecnológica de órgãos governamentais de incentivo a inovação.

E para completar as quatro bases, o projeto conta com o apoio da Universidade que disponibiliza os seus centros de pesquisas e seus pesquisadores, que são mestres, doutores, graduados e alunos da graduação que integram o capital humano altamente qualificado do projeto Artisans Brasil – Seda Justa.